Imagine um Brasil em 2035 em que a próxima grande empresa de tecnologia nasce em Santa Rita do Sapucaí, Recife ou Foz do Iguaçu, e não só em São Paulo.
Os ecossistemas de inovação reúnem startups, universidades, investidores e empresas para transformar ideias em negócios.
Aqui, um passeio por 11 polos brasileiros. Os números são da publicação original, de 2022, e servem como retrato daquele momento.
Role para começar
Cidades com startups, cursos, coworkings, investidores e universidades tendem a formar ecossistemas de inovação. O Brasil ainda não tem um Vale do Silício, mas tem polos promissores na América Latina.
Visitamos Porto Digital (Recife), Camaçari, San Pedro Valley (BH), Santa Rita do Sapucaí, São José dos Campos, Campinas, São Paulo, Florianópolis, Porto Alegre, Foz do Iguaçu e Salvador.
No fim, explicamos por que esses ecossistemas importam para a economia e para a autonomia tecnológica do país.
Onde a inovação acontece
Ecossistemas de inovação aceleram novos negócios e dão dinamismo às cidades. Costumam reunir startups, empregos em tecnologia, cursos, coworkings, investidores, universidades e diversidade.
Ainda longe do Vale do Silício, o Brasil tem cenários promissores na comparação com a América Latina.
Começamos pelo Nordeste.
Porto Digital, Recife
Lançado em 2000, reunia cerca de 250 empresas e 7 mil profissionais em 2022. Aposta em TI, comunicação e economia criativa (games, cinema, música e design), numa parceria entre governo, universidades e empresas.
Camaçari e Salvador, Bahia
Em Camaçari, o Complexo de Inovação do Senai Cimatec atende indústrias de automação, química, mineração e construção.
Em Salvador, o Parque Tecnológico, o HUB Salvador e a aceleradora Vale do Dendê formam um polo de tecnologia e economia criativa.
Seguimos para Minas e São Paulo.
San Pedro Valley, Belo Horizonte
Conhecida pela colaboração entre empreendedores, BH reunia mais de 200 startups e aceleradoras. O apelido vem do bairro São Pedro, onde muitas delas ficavam.
Santa Rita do Sapucaí, MG
Com cerca de 38 mil habitantes, é polo de eletrônica há décadas. Em 1959, recebeu a primeira escola técnica de eletrônica da América Latina. Une inovação e qualidade de vida.
São José dos Campos e Campinas, SP
O Parque Tecnológico de São José dos Campos, ligado à aeronáutica e à defesa, abrigava mais de 300 empresas. Em Campinas, a Unicamp formou mão de obra que atraiu grandes empresas de tecnologia.
São Paulo, SP
O maior ambiente de startups do país, com destaque em fintechs e saúde e reconhecimento internacional pelo talento disponível.
No Sul, dois polos se destacam.
Florianópolis, SC
O polo começou a se estruturar em 1984. Em 2022, a cidade tinha mais de 600 startups de tecnologia. A ACATE, associação catarinense de tecnologia, reúne mais de 1.200 associados em 13 polos do estado.
Tecnopuc, Porto Alegre
Gerido pela PUCRS, abrigava cerca de 120 empresas, a maioria pequenas e médias, ao lado de grandes empresas de tecnologia, numa ponte entre pesquisa e mercado.
E há cidades despontando.
Foz do Iguaçu, PR
O Parque Tecnológico de Itaipu, criado em 2003, ampliou parcerias com startups de agronegócio, saúde, cidades inteligentes e energia. A tríplice fronteira traz uma mistura cultural rara no país.
Por que esses ecossistemas importam
Eles dão acesso a redes, recursos e parcerias que pequenas empresas não teriam sozinhas, estimulam a criatividade e geram empregos.
Para crescer, precisam de regras claras, financiamento, gente qualificada e boas ferramentas digitais para conectar startups a clientes e investidores.
Ecossistemas fortes também são uma questão de soberania: um país que inova escolhe melhor o próprio caminho tecnológico.
Inovação em muitos lugares
O Brasil inovador não cabe em uma só cidade. Está espalhado por polos com vocações diferentes.
Quanto mais lugares inovarem, mais o país decide o próprio futuro.
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